TEDxAmazônia

25 anos de Vídeo nas Aldeias

No próximo dia 12 de dezembro, será lançado em São Paulo o livro-vídeo que comemora 25 anos do projeto Vídeo nas Aldeias, que aproximou o vídeo de 127 aldeias indígenas brasileiras. O projeto é fruto do trabalho de Vincent Carelli, antropólogo e documentarista que formou diretores cinematográficos indígenas. Ele falou sobre esse trabalho na sua talk no TEDxAmazônia e inclusive adiantou alguns trechos de filmes que estavam ainda sendo finalizados.

O livro-vídeo bilíngüe, conta com depoimentos, ensaios críticos e fotográficos em mais de seis horas de filme.  Ele reconta a história da iniciativa, que já produziu registros de 37 povos e filmes premiados no Brasil e no exterior. O mais recente, Bicicletas de Nhanderú, uma imersão no cotidiano dos Mbya-Guarani (RS), poderá ser visto no próprio lançamento, no Itaú Cultural (Av. Paulista, 149), às 19h30hs, em sessão seguida por debate com realizadores indígenas. A entrada é franca.

Idealizado como um conjunto de textos, imagens e filmes que se complementam, Vídeo nas Aldeias – 25 anos reflete sobre cinco encontros mais significativos promovidos pelo projeto, com os índios Ashaninka (AC), Kuikuro, Xavante (MT), Huni Kui (AC) e Mbya-Guarani (RS). Em cada segmento, índios e equipes do projeto discutem o trabalho em conjunto, recompõem o processo de produção dos filmes e comentam repercussões e desdobramentos. Mais do que detalhes factuais, os depoimentos revelam o impacto da chegada do vídeo às aldeias: a apropriação do meio incita à retomada de rituais esquecidos, evidencia disputas políticas entre grupos diversos, expõe conflitos geracionais; mais do que tudo, possibilita projetar para o mundo uma imagem mais fiel dos realizadores.

 “Os vídeos trazem uma visão que nunca foi vista, não um olhar que exotiza a diferença, mas que humaniza e aproxima os índios da gente”, como já havia nos dito o próprio Vincent.

Educação musical e ecologia

 

“Dá floresta não tiramos apenas o sustento, nossa morada e nossa farmácia, tiramos também a nossa música”, assim começa a conversa com Rubens Gomes, luthier que dedica sua vida a construir e consertar instrumentos de corda e também a pesquisar novas espécies de madeiras.

Rubens é criador da Oficina Escola de Lutheria da Amazônia, onde mistura educação musical com noções de ecologia, respeitando os princípios de uso racional e sustentável dos recursos naturais da região. Segundo ele, é necessário buscar a valoração do ativo florestal, pensar no empreendedorismo sustentável e nas pessoas que vivem na floresta. “O consumo é um ato político”, lembra ele. “Todos nós temos que saber a cadeia produtiva do produto que está no mercado. A sociedade tem esse poder sob o mercado.”

 

O mundo é divertido

Rafael Kenski é consultor em gamificação, a arte de misturar jogos com coisas sérias. Foi editor da Superinteressante e um dos primeiros a criar no Brasil um Alternate Reality Game, jogos que misturam ficção e realidade, usando principalmente as mídias tradicionais do mundo real para fornecer aos jogadores uma experiência interativa. Brincadeira que foi levada a sério por alguns desavisados e rendeu até críticas reais de políticos à grande vilã do game: uma empresa que queria privatizar a Amazônia. E foi a partir dessas ideias que ele desenvolveu sua tese: O melhor jeito de trabalhar é se divertindo!

E segundo ele foi isso que ele viu também no encontro na Amazônia: “Eu sempre achei que a diversão era o melhor jeito de resolver problemas. No TEDxAM, vi que eu não era o único. Quase todo mundo ali tinha uma ideia artística, criativa, maluca e viável para melhorar o mundo. Ficou claro que é mais importante ressaltar o que existe de legal do que eliminar o que é ruim. De outra forma, não vamos nos divertir no processo, e aí nada funciona.”

Mais detalhes sobre as referências da sua talk e como as coisas andaram de lá para cá, ele conta também no seu blog.

Risos para o desenvolvimento social

Educar e divertir, essas são as funções que os palhaços do Projeto Saúde Alegria exercem a quase três décadas no Oeste do Pará. Atuando em comunidades rurais extrativistas, o grupo faz um trabalho de desenvolvimento comunitário integrado, que já beneficiou 35 mil pessoas na região.

E é para contar sobre o seu trabalho que o palhaço Magnolio subiu ao palco do TEDx Amazônia. No meio à gargalhadas, ele passa lições de saúde, sustentabilidade, cidadania e colaboração. “Ator social num tem, a gente tem elenco social, ninguém quer fazer monólogo.”

Sobre nossas duas vidas

Ele faz parte do grupo que fundou o Critical Mass, movimento de ciclistas que invadiam as ruas da cidade pedalando sem rumo, conhecido por aqui como Bicicletada. É um ativista do espaço urbano e coleciona bicicletas esquisitas. Chris Carlsson é escritor, produtor e editor e em sua talk fala sobre as contradições contemporâneas ligadas ao nosso estilo de vida e a nossa relação com o trabalho.

“Vivemos numa máquina planetária de trabalho que está ameaçando a existência da vida”, reflete Carlsson. Segundo ele, vamos para o trabalho com as melhores das intenções, mas não ligamos para o fato de que o nosso emprego pode ter consequências na degradação do mundo. Deixamos para fazer o que acreditamos fora do trabalho, comprando orgânicos, escolhendo as marcas sustentáveis, não comendo carne, criando coletivos etc. Mas não sabemos se a nossa empresa colabora com as emissões de carbono, por exemplo. “Somos consumidores que votamos com o nosso dinheiro. Mas não temos a mesma posição como trabalhadores.”

O novo paradigma da humanidade

Ele é um líder budista focado em beneficiar os seres em seu cotidiano segundo a linhagem que segue, a Ningmapa. Lama Padma Samten ou Alfredo Aveline é gaúcho, formado em física, estudioso de física quântica. O seu título lama significa que ele assumiu o papel de líder, sacerdote e professor dos ensinamentos budistas.

Padma começa uma talk nos dizendo que o encontro de diferentes culturas que vivemos intensamente nas últimas décadas nos trouxe para um momento importante: “Estamos num tempo interessante que é o de superar a ingenuidade. É a superação da compreensão de que o mundo interno é suficiente ou que de que o mundo externo é suficiente.”

Ecodesign

Zoe Melo é brasileira mas o sotaque carregado não engana, ela morou muitos anos nos Estados Unidos, foi modelo, trabalhou em showrooms, colaborou com grandes marcar internacionais e sempre esteve envolvida com design. Até que em 2007 abriu a Touch, um studio de design que além de desenvolver e comercializar peças ecologicamente corretas, ainda dá consultoria em design social e sustentável. “Eu tive uma visão, queria trazer fatores orgânicos para a vida moderna”. E é sobre isso que ela fala emocionada em sua talk.

Ela conta que a experiência do TEDxAM reforçou dentro dela os valores do seu trabalho e  o espírito de colaboração. E o número de projetos continua crescendo, hoje ela está abrindo uma exposição em Los Angeles e preparando outras três para o ano que vem, duas na Europa e uma só sobre o Brasil, no aeroporto de Miami. Zoe também foi convidada para desenhar todos os objetos de promoção e o design do espaço do TEDx Belo Horizonte que acontece em maio 2012.

Detetive da natureza

 

Ele é ex-xerife, bioquímico, autor de livros de ficção científica e atual diretor do Laboratório Forense de Serviço de Vida Selvagem e Pesca dos Estados Unidos. Ken Godard trabalhou por 12 anos investigando cenas de crimes humanos até criar o Oregon, primeiro laboratório de investigação de crimes contra a natureza e há mais de 30 anos se dedica a esse trabalho. 

Ken nos conta que as memórias do que viu em Manaus são lindas, assim como “as pessoas fascinantes, apaixonadas e  dedicadas” que teve oportunidade de conhecer. Ele diz que ele continua com trabalhos ousados juntamente com a equipe do Laboratório Forense de Serviço de Vida Selvagem e Pesca dos EUA (http://www.lab.fws.gov/, buscando aprimorar as técnicas para suas investigações sobre os crimes contra a vida selvagem e o meio ambiente. Entre seus trabalhos atuais está uma pesquisa para proteger madeiras raras como a brasileiríssima Pau Rosa. E claro, continua escrevendo seus livros de ficção.

Negócio sustentável

 

Luciana Villa trabalha na Natura há 15 anos, empresa que desde 1998 investe na biodiversidade brasileira e na construção de um novo modelo de negócio sustentável. “Usávamos muita matéria prima vinda do exterior. O nosso desafio era acreditar na biodiversidade como fonte de inovação, desenvolvimento social, mas sem impacto ambiental”, conta.

A empresa foi buscar na união da tecnologia com a sabedoria local das comunidades extrativistas um modelo de negócio que passou pela busca de ativos 100% brasileiros, pela reconstrução de valores da indústria, dos consumidores. Entre os grandes aprendizados que as comunidades locais trouxeram para a vida urbana está:  “A natureza não para mas ela também não corre não” , como lembra Luciana

 

Uma banda de rock com voz e violão

“Este disco foi feito de uma maneira rápida, com muita diversão e praticamente sem colocar a mão no bolso”, assim Lucas Santtana começou a sua palestra parafraseando o Edgard Gouveia, também palestrante do TEDxAmazônia.

Lucas Santtana é baiano, músico, produtor, compositor e um amante da cultura digital. Ele uniu sua formação erudita à tecnologia para produzir música com um novo olhar. Em seu disco, Sem Nostalgia, recria uma banda de rock só com o tradicional voz e violão. E para as faixas mais lentas, usa os sons “ambiente” da natureza.

Como ele fez isso e um pouco do resultado é o que ele nos mostra em sua talk:

 

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